Ynnov | O que esperar de 2026 no setor do alojamento em Portugal

O que esperar de 2026 no setor do alojamento em Portugal: tendências, desafios e oportunidades

19/01/2026
YnnovDicas

2026 marca uma nova fase para o setor do alojamento em Portugal: menos baseada no crescimento automático e mais na capacidade de adaptação. Num contexto de maior concorrência e hóspedes cada vez mais informados, gerir bem passa a ser tão importante quanto atrair procura. Este artigo reúne tendências, sinais de mercado e pistas estratégicas que ajudam a compreender como o setor está a evoluir e o que pode fazer a diferença nos próximos anos.

O setor do alojamento em Portugal entra em 2026 com perspetivas globalmente positivas, mas também com desafios mais complexos e exigentes do que em anos anteriores. Após um período marcado por forte recuperação e crescimento sustentado, o mercado começa a revelar sinais claros de maturidade: mais concorrência, hóspedes mais informados, maior pressão sobre a rentabilidade e uma exigência crescente ao nível da gestão.

As previsões apontam para a continuação do crescimento da atividade turística, mas indicam também que esse crescimento será cada vez mais seletivo. O desempenho deixará de depender apenas da procura global e passará a estar fortemente ligado à capacidade de cada operação se adaptar, otimizar processos e responder às novas expectativas dos viajantes.

Neste contexto, antecipar tendências e compreender as mudanças estruturais do setor torna-se essencial para proprietários e gestores que querem manter-se competitivos. Este artigo analisa os principais fatores que deverão marcar o setor do alojamento em Portugal em 2026, com base em estudos, previsões e tendências observadas a nível nacional e internacional.

  • Crescimento sustentado, mas com uma lógica diferente
  • Um viajante mais informado, exigente e consciente
  • Novos padrões de procura e comportamento de viagem
  • Tecnologia como eixo central da gestão em 2026
  • Profissionalização do setor: de vantagem competitiva a requisito essencial
  • Sustentabilidade como fator real de decisão
  • A experiência do hóspede como principal fator de diferenciação
  • A importância dos dados na tomada de decisão
  • Preparar hoje o alojamento para o futuro

Crescimento sustentado, mas com uma lógica diferente

Tudo indica que 2026 continuará a ser um ano de crescimento para o turismo em Portugal. No entanto, esse crescimento não deverá resultar principalmente de aumentos generalizados de preços, mas sim de uma melhor performance ao nível da ocupação.

De acordo com análises divulgadas pelo Turisver, o crescimento do RevPAR em 2026 será sustentado sobretudo pelo aumento da taxa de ocupação e menos pela subida agressiva de preços (ADR), refletindo um mercado mais competitivo e sensível ao valor percebido pelo hóspede.

Neste novo contexto, ganham relevância estratégias como:

  • gestão mais eficiente de calendários e disponibilidade;
  • melhor posicionamento nos canais de venda;
  • captação de procura fora da época alta;
  • controlo rigoroso de custos para proteger margens.

A gestão deixa de ser reativa e passa a exigir planeamento, leitura de dados e capacidade de antecipação. A eficiência operacional torna-se um dos principais motores de crescimento sustentável.

Ynnov | 2026 traz um viajante mais informado, exigente e consciente

Um viajante mais informado, exigente e consciente

O perfil do viajante em 2026 apresenta mudanças claras face a anos anteriores. O hóspede chega mais informado, compara opções com maior rigor e toma decisões com base num conjunto alargado de critérios, e não apenas no preço ou na localização.

Entre as características mais marcantes deste novo perfil destacam-se:

  • maior valorização da transparência e da comunicação clara;
  • atenção redobrada às avaliações e à reputação online;
  • procura por experiências autênticas e personalizadas;
  • sensibilidade crescente e práticas sustentáveis;
  • expectativa de processos simples, rápidos e digitais.

As previsões da Booking.com indicam que os viajantes procuram cada vez mais experiências alinhadas com os seus valores, interesses pessoais e estilo de vida, rejeitando soluções padronizadas.

Por sua vez, o Airbnb destaca uma procura crescente por experiências locais, culturais e imersivas, bem como por viagens motivadas por eventos, celebrações ou interesses específicos.

Neste cenário, a proposta de valor do alojamento precisa de ser clara, coerente e consistente em todos os pontos de contacto com o hóspede, desde a pesquisa inicial até o pós-estadia.

Novos padrões de procura e comportamento de viagem

O mercado torna-se cada vez mais fragmentado e diversificado. Em 2026, já não existe um único perfil dominante de viajante mas, sim, múltiplos segmentos com expectativas distintas.

Entre os principais padrões que marcam o comportamento da procura destacam-se:

  • crescimento das viagens fora da época alta;
  • interesse crescente por destinos menos massificados;
  • aumento das escapadinhas curtas e mais frequentes;
  • crescimento das viagens a solo;
  • combinação entre lazer e trabalho remoto;
  • procura por experiências personalizadas e com significado.

Estudos sobre tendências de viagem na Europa apontam para estas mudanças estruturais no comportamento dos viajantes.

Portugal continua bem posicionado neste contexto, mas a capacidade de responder a esta diversidade de perfis será determinante. Adaptar a comunicação, a oferta e a experiência a diferentes motivações passa a ser uma vantagem competitiva clara.

Tecnologia como eixo central da gestão em 2026

A tecnologia deixa definitivamente de ser um complemento e passa a assumir um papel estrutural na gestão do alojamento. Em 2026, a diferença entre operações eficientes e operações sobrecarregadas estará cada vez mais ligada ao grau de digitalização.

Segundo análises da Revfine, a tecnologia continuará a transformar profundamente o setor, com impacto direto na produtividade, na tomada de decisão e na experiência do hóspede.

  • Automação de processos operacionais: a automatização permite reduzir tarefas manuais, minimizar erros e libertar tempo para atividades de maior valor. Processos como sincronização de canais, criação de serviços de limpeza, organização de dados ou gestão administrativa tornam-se progressivamente integrados. A eficiência operacional passa a ser um fator crítico de competitividade.
  • Uso crescente da inteligência artificial: a inteligência artificial começa a desempenhar um papel relevante no apoio à gestão, nomeadamente através de:
    • análise de dados e identificação de padrões;
    • apoio à previsão de procura;
    • otimização de decisões operacionais;
    • apoio à definição de estratégias.

Mais do que substituir decisões humanas, estas ferramentas permitem decidir melhor, mais depressa e com base em dados reais.

Ynnov | A profissionalização do setor: de vantagem competitiva a requisito essencial

Profissionalização do setor: de vantagem competitiva a requisito essencial

O crescimento do setor trouxe consigo uma exigência crescente ao nível da gestão. Em 2026, a profissionalização deixa de ser um diferencial e passa a ser uma condição essencial para operar com eficiência. Isso traduz-se em:

  • processos internos bem definidos e documentados;
  • controlo financeiro rigoroso;
  • acompanhamento estratégico de médio e longo prazo;
  • utilização de ferramentas adequadas à dimensão do negócio.

A gestão baseada apenas na experiência ou na intuição torna-se insuficiente num contexto mais competitivo, regulado e orientado por dados.

Sustentabilidade como fator real de decisão

A sustentabilidade deixa de ser apenas um argumento reputacional e passa a influenciar diretamente a escolha do alojamento. Em 2026, muitos viajantes valorizam práticas responsáveis e esperam coerência entre discurso e prática. Entre os aspetos mais valorizados estão:

  • eficiência energética e redução de consumos;
  • gestão responsável de resíduos;
  • uso consciente de recursos naturais;
  • integração com a comunidade local;
  • comunicação transparente das práticas adotadas.

Tendências ligadas ao bem-estar e à sustentabilidade ganham peso na perceção de qualidade e na decisão de reserva.

A experiência do hóspede como principal fator de diferenciação

Num mercado cada vez mais competitivo, a experiência torna-se um dos principais fatores de diferenciação. Em 2026, não basta oferecer um alojamento confortável, é necessário proporcionar uma experiência fluida, simples e coerente ao longo de toda a jornada. Alguns aspetos-chave incluem:

  • comunicação clara antes da chegada;
  • processos simples de check-in e check-out;
  • informação acessível durante a estadia;
  • atenção ao detalhe e funcionalidade;
  • apoio eficiente sempre que necessário.

A experiência é cada vez mais híbrida, combinando componentes físicas e digitais, e influencia diretamente avaliações, recomendações e níveis de fidelização.

A importância dos dados na tomada de decisão

Em 2026, gerir dados será cada vez mais determinante. A análise regular de indicadores como taxa de ocupação, receitas, desempenho por canal e comportamento do hóspede permite decisões mais rápidas, informadas e consistentes.

A capacidade de transformar dados em ação concreta será um dos principais fatores de diferenciação entre operações sustentáveis e operações em dificuldade.

Preparar hoje o alojamento para o futuro

O setor do alojamento em Portugal entra em 2026 com bases sólidas e perspetivas positivas, mas também com exigências elevadas. O crescimento continuará, mas será cada vez mais seletivo e dependente da capacidade de adaptação.

Tecnologia, profissionalização, sustentabilidade, análise de dados, compreensão do novo perfil de viajante e foco na experiência deixam de ser tendências isoladas e passam a formar um ecossistema interligado.

Preparar o futuro passa por compreender estas dinâmicas, acompanhar a evolução do mercado e adotar práticas de gestão que permitam crescer com eficiência, consistência e visão estratégica num setor cada vez mais competitivo.