
O setor do alojamento em Portugal entra em 2026 com perspetivas globalmente positivas, mas também com desafios mais complexos e exigentes do que em anos anteriores. Após um período marcado por forte recuperação e crescimento sustentado, o mercado começa a revelar sinais claros de maturidade: mais concorrência, hóspedes mais informados, maior pressão sobre a rentabilidade e uma exigência crescente ao nível da gestão.
As previsões apontam para a continuação do crescimento da atividade turística, mas indicam também que esse crescimento será cada vez mais seletivo. O desempenho deixará de depender apenas da procura global e passará a estar fortemente ligado à capacidade de cada operação se adaptar, otimizar processos e responder às novas expectativas dos viajantes.
Neste contexto, antecipar tendências e compreender as mudanças estruturais do setor torna-se essencial para proprietários e gestores que querem manter-se competitivos. Este artigo analisa os principais fatores que deverão marcar o setor do alojamento em Portugal em 2026, com base em estudos, previsões e tendências observadas a nível nacional e internacional.
Tudo indica que 2026 continuará a ser um ano de crescimento para o turismo em Portugal. No entanto, esse crescimento não deverá resultar principalmente de aumentos generalizados de preços, mas sim de uma melhor performance ao nível da ocupação.
De acordo com análises divulgadas pelo Turisver, o crescimento do RevPAR em 2026 será sustentado sobretudo pelo aumento da taxa de ocupação e menos pela subida agressiva de preços (ADR), refletindo um mercado mais competitivo e sensível ao valor percebido pelo hóspede.
Neste novo contexto, ganham relevância estratégias como:
A gestão deixa de ser reativa e passa a exigir planeamento, leitura de dados e capacidade de antecipação. A eficiência operacional torna-se um dos principais motores de crescimento sustentável.

O perfil do viajante em 2026 apresenta mudanças claras face a anos anteriores. O hóspede chega mais informado, compara opções com maior rigor e toma decisões com base num conjunto alargado de critérios, e não apenas no preço ou na localização.
Entre as características mais marcantes deste novo perfil destacam-se:
As previsões da Booking.com indicam que os viajantes procuram cada vez mais experiências alinhadas com os seus valores, interesses pessoais e estilo de vida, rejeitando soluções padronizadas.
Por sua vez, o Airbnb destaca uma procura crescente por experiências locais, culturais e imersivas, bem como por viagens motivadas por eventos, celebrações ou interesses específicos.
Neste cenário, a proposta de valor do alojamento precisa de ser clara, coerente e consistente em todos os pontos de contacto com o hóspede, desde a pesquisa inicial até o pós-estadia.
O mercado torna-se cada vez mais fragmentado e diversificado. Em 2026, já não existe um único perfil dominante de viajante mas, sim, múltiplos segmentos com expectativas distintas.
Entre os principais padrões que marcam o comportamento da procura destacam-se:
Estudos sobre tendências de viagem na Europa apontam para estas mudanças estruturais no comportamento dos viajantes.
Portugal continua bem posicionado neste contexto, mas a capacidade de responder a esta diversidade de perfis será determinante. Adaptar a comunicação, a oferta e a experiência a diferentes motivações passa a ser uma vantagem competitiva clara.
A tecnologia deixa definitivamente de ser um complemento e passa a assumir um papel estrutural na gestão do alojamento. Em 2026, a diferença entre operações eficientes e operações sobrecarregadas estará cada vez mais ligada ao grau de digitalização.
Segundo análises da Revfine, a tecnologia continuará a transformar profundamente o setor, com impacto direto na produtividade, na tomada de decisão e na experiência do hóspede.
Mais do que substituir decisões humanas, estas ferramentas permitem decidir melhor, mais depressa e com base em dados reais.

O crescimento do setor trouxe consigo uma exigência crescente ao nível da gestão. Em 2026, a profissionalização deixa de ser um diferencial e passa a ser uma condição essencial para operar com eficiência. Isso traduz-se em:
A gestão baseada apenas na experiência ou na intuição torna-se insuficiente num contexto mais competitivo, regulado e orientado por dados.
A sustentabilidade deixa de ser apenas um argumento reputacional e passa a influenciar diretamente a escolha do alojamento. Em 2026, muitos viajantes valorizam práticas responsáveis e esperam coerência entre discurso e prática. Entre os aspetos mais valorizados estão:
Tendências ligadas ao bem-estar e à sustentabilidade ganham peso na perceção de qualidade e na decisão de reserva.
Num mercado cada vez mais competitivo, a experiência torna-se um dos principais fatores de diferenciação. Em 2026, não basta oferecer um alojamento confortável, é necessário proporcionar uma experiência fluida, simples e coerente ao longo de toda a jornada. Alguns aspetos-chave incluem:
A experiência é cada vez mais híbrida, combinando componentes físicas e digitais, e influencia diretamente avaliações, recomendações e níveis de fidelização.
Em 2026, gerir dados será cada vez mais determinante. A análise regular de indicadores como taxa de ocupação, receitas, desempenho por canal e comportamento do hóspede permite decisões mais rápidas, informadas e consistentes.
A capacidade de transformar dados em ação concreta será um dos principais fatores de diferenciação entre operações sustentáveis e operações em dificuldade.
O setor do alojamento em Portugal entra em 2026 com bases sólidas e perspetivas positivas, mas também com exigências elevadas. O crescimento continuará, mas será cada vez mais seletivo e dependente da capacidade de adaptação.
Tecnologia, profissionalização, sustentabilidade, análise de dados, compreensão do novo perfil de viajante e foco na experiência deixam de ser tendências isoladas e passam a formar um ecossistema interligado.
Preparar o futuro passa por compreender estas dinâmicas, acompanhar a evolução do mercado e adotar práticas de gestão que permitam crescer com eficiência, consistência e visão estratégica num setor cada vez mais competitivo.

